Centro Cultural do IAB-MG

Arquitetos Alexandre Brasil e Carlos Alberto Maciel
Local Belo Horizonte, MG, Brasil
Projeto 1998

Quatro aspectos foram pré-determinantes desta proposta para o Centro Cultural IAB:

1 –  a conservação completa da atual sede, sua estrutura, algumas vedações e suas instalações;

2 – a ocupação das áreas remanescentes de modo que o novo edifício se integre com a atual sede, a criar uma imagem simples e vigorosa para quem da rua a aprecia;

3 – a criação de acessos independentes e universais, a potencializar o uso geral e irrestrito do todo ou das partes individualmente;

4 – a utilização exaustiva dos materiais disponíveis, não apenas em seus usos tradicionalmente aceitos, mas em alguns casos como experiências tecnológicas, a buscar sempre a invenção arquitetural que nos é tão cara.

Do Partido Arquitetônico

Optamos pela conservação da edificação existente, trabalhando novas edificações nos espaços remanescentes. Dois novos blocos, um posterior, do auditório e exposições, e outro frontal e protagonista, dos espaços de imprescindível uso público, se articulam com a sede atual através de um terceiro, linear e vertical, das circulações. No embasamento, o volume revestido de aço SAC configura o estacionamento do subsolo e se contrapõe à leveza da estrutura branca do bloco horizontal, pousada sobre ele. E a encerrar a perspectiva, o volume vertical das circulações, ora transparente, ora fechado como o embasamento: é a arquitetura a buscar o máximo aproveitamento dos recursos de luz e sombra, claro e escuro, cheio e vazado, denso e transparente.

Da inserção urbana do edifício

Os volumes propostos criam uma nova imagem para a sede do IAB, e uma nova relação do edifício com a rua se estabelece. Dois terraços, um contíguo à entrada, outro no pavimento superior, garantem maior visibilidade da edificação para a rua. Em contrapartida, os espaços de uso eminentemente públicos – restaurante e bookstore – a dividir com o hall principal do Instituto o bloco horizontal frontal em que predominam transparência e vazados, têm garantidos acessos generosos e áreas de permanência com grande contato com a via pública. O uso do aço mostra nossa tecnologia, ora oxidado, no embasamento e no coroamento do bloco das circulações, ora pintado de branco, nesta estrutura primeira, ora inoxidável, na necessária assepcia dos painéis de vedação do restaurante, a dispensar o vidro. Enfim, se procura criar uma imagem forte do edifício, a contrastar com seu entorno imediato por suas proporções e materiais pouco convencionais, sem ornamentos a comprometer.

Da organização dos espaços internos

Ao mesmo tempo em que os acessos foram cuidadosamente estudados para garantir o funcionamento independente das diversas partes, inclusive das áreas de serviço do restaurante, no subsolo com saída para a rua, os espaços se articulam de modo a possibilitar total integração para eventos de maior porte, se necessário. Restaurante, foyer, exposições, pátio posterior e terraço frontal configuram espaços independentes, diferentes entre si, mas com possibilidade de total integração. Também o terraço superior, acessível pela escada central, de acesso ao auditório, e também por outra, diretamente do restaurante, se caracteriza como extensão possível ao foyer principal, e como foyer alternativo para o auditório, também no segundo pavimento. A passarela que conecta ambos os espaços corta um vazio com pé direito duplo, adquirindo caráter cênico, a estabelecer forte ligação entre os dois pavimentos. A iluminação deste espaço se dá por amplo pano de vidro lateral sobre o IAB existente, voltado para sul. A complementá-la, uma generosa zenital com sheds no vazio central da edificação existente traz para o foyer e a biblioteca a luz natural. Também o volume linear das circulações verticais atua como clarabóia para todos os espaços principais do Centro Cultural.

No espaço das exposições, a iluminação da abertura alta à esquerda, sobre o IAB existente, se associa à zenital do lado oposto, a varrer as paredes e reforçar a variação do pé direito proporcionada pelo auditório acima. Ao fundo, um pátio interior amplia a área de exposição ao ar livre, e constitui uma reserva para possível futura ampliação das áreas administrativas.

Para essas últimas, se propõe a mínima construção de divisões fixas, a garantir maior flexibilidade no uso, como convém a espaços com usuários diversos e às vezes temporários. Sua locação é estratégica por permitir o controle simultâneo das atividades do foyer e da biblioteca, a dispensar o excesso de funcionários. E como os demais espaços, tem uso independente, e ocupa, como a biblioteca, área com as melhores condições ambientais, tanto no que diz respeito ao conforto térmico, quanto ao isolamento acústico em relação à rua.

Dos aspectos técnicos e econômicos imprescindíveis

O uso coerente e consciente dos materiais disponíveis se associa à invenção arquitetural. Como o revestimento em aço oxidado, associado ao vidro, ou a estrutura do auditório que se inclina para possibilitar a iluminação lateral sobre a exposição, busca-se sempre os melhores usos possíveis dos diversos materiais. As divisões internas, mínimas, e os painéis pivotantes da exposição e biblioteca, opacos, se utilizam das placas de gypsum sobre estrutura metálica. Os painéis de correr do restaurante, em aço inox, dispensam outro tipo de vedação e transformam o espaço numa grande varanda. E os vidros, necessários, alternam-se entre transparentes e silkados, quando convém mostrar ou ocultar parcialmente, como na caixa do elevador, a se mostrar vagamente para quem passa da rua.

O inox ainda aparece na marquise sobre as portas de acesso ao terraço do pavimento superior, a impedir a entrada da água e a evitar manchas indesejáveis nos vidros, pelo escorrimento da oxidação acima.

O elevador garante o acesso universal ao auditório. Este, por sua vez, traz em seu interior novamente o gypsum com o isolamento acústico que sua função exige. Externamente, tem seu volume revestido com telha ondulada de alumínio, sobre a estrutura metálica, atuando a um só tempo como vedação e acabamento.

Enfim, buscou-se a elaboração de um trabalho equilibrado, coerente, com imagem marcante como seu uso exige, e econômico, como convém aos tempos de hoje.