Estúdios Pouso Alto

Arquitetos Carlos Alberto Maciel e Ulisses Mikhail Jardim Itokawa
Colaboração Raquel Araújo e André Resende
Local Belo Horizonte, MG, Brasil
Projeto 2010

O projeto do edifício Estúdios Pouso Alto parte das restrições do sítio e da legislação para definir seus principais atributos formais e volumétricos: uma relevante massa arbórea de grande porte pré-existente no terreno, aos modos de um bosque, orientou a mancha de ocupação principal; a restrição de altimetria imposta pela legislação em 15 metros induziu o escalonamento.

A legislação permitiria, pelas dimensões do terreno, ampliar o aproveitamento do terreno de 1,5 para 2,0 vezes a sua área. Essa ampliação implicaria em eliminar a massa verde existente, uma vez que a restrição altimétrica impediria a verticalização. Contrariando o senso comum do mercado imobiliário, que sempre busca a máxima exploração do potencial construtivo em detrimento da qualidade ambiental, o empreendedor optou deliberadamente pela preservação da massa verde e pela adoção de menor aproveitamento. Essa opção contribuirá não apenas para um relevante ganho para os futuros moradores do edifício, como reduzirá eventuais interferências entre a nova edificação e os vizinhos, protegidos pela massa verde de que hoje já usufruem.

O bosque é ainda uma alternativa consistente em relação às facilidades de lazer pré-programado usualmente oferecidas nos edifícios residenciais produzidos pelo mercado imobiliário.

Na organização interna dos apartamentos, evitam-se os clichés usuais: não há apartamento-tipo, mas variações diversas tanto em área como em disposição espacial; evitam-se as subdivisões internas excessivas, privilegiando uma organização em planta livre que concentra as infraestruturas sanitárias de modo a permitir a personalização dos espaços internos pelo usuário final com o mínimo de intervenção e sem geração de resíduo; as aberturas são amplas, de modo a ampliar a integração com a paisagem e a qualificar ambientalmente os espaços internos, promovendo a ventilação cruzada em todas as unidades; o escalonamento favorece a extensão aberta em terraços com vista para a cidade em diversos apartamentos. Devido à organização longilínea do terreno, todas as unidades abrem-se para a rua ou para o bosque, sem perdas na qualidade ambiental interna.

Nas áreas comuns,  as circulações são avarandadas, usufruindo do contato com o bosque; os materiais são despojados – alvenarias em tijolo aparente, pisos em concreto polido, vedações em alumínio preto e vidro incolor, embasamento em pedra lagoa santa -, respondendo à necessária permanência com baixa manutenção.

Construtivamente, a modulação rigorosa organiza a variedade volumétrica e espacial, o que conferirá ao edifício uma distinta e discreta presença na paisagem.