Plano Diretor Campus II FUMEC

Arquitetos Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Bruno Santa Cecília e Carlos Alberto Maciel
Local Nova Lima, MG, Brasil
Projeto 2003

A proposta do plano diretor para o Novo Campus da FUMEC parte da interpretação do que deve ser uma instituição de ensino, e busca projetar no lugar lógicas de interrelações entre os espaços de diversas naturezas a partir do entendimento das possibilidades de articulação das suas especificidades. Busca a um só tempo uma ordenação do espaço que tenha unidade e diversidade, com estratégias de implantação que apresentam ótima relação custo-benefício, tanto na lógica de construção e manutenção das edificações como no cuidado com a mínima interferência na topografia.

Diversos aspectos orientaram a elaboração desta proposição, a saber:

• A demarcação clara dos espaços públicos e privados, diferenciando espaços totalmente abertos a uso público, tanto da instituição como externo a ela – praça de serviços e auditório -, espaços de uso exclusivo da instituição, abertos a toda a comunidade – Administração Central e biblioteca – , e espaços destinados a ocupações específicas a cada unidade – edifícios das Unidades de Ensino: Centro de Ciências Exatas, Centro de Ciências Humanas, Centro de Ciências Sociais.
• A  caracterização de um acesso principal junto à Alameda da Serra, via hierarquicamente dominante no contexto urbano, e outro secundário, junto à Rua do Vale, interligados por dois eixos de circulação interna dominantes e principais, que se encontram ortogonalmente no ponto focal de articulação entre todos os edifícios principais: a Praça Central.
• A demarcação clara da presença da Instituição FUMEC no lugar, através de uma implantação que busca reduzir o impacto do volume construído das áreas comerciais e valorizar a presença da Administração Central e Auditório, edifício mais importante e por isso implantado em posição dominante nas visadas de quem chega desde a Alameda da Serra e também para quem sobe a alameda interna.
• A valorização da abertura para a paisagem, rebaixando a praça de serviços e a biblioteca de modo a prever a utilização de suas coberturas como terraços de uso público, em contrapartida à verticalização dos blocos de aulas.
• A implementação de um paisagismo rico em sombras, nos estacionamentos com árvores de folhagem perene, nos percursos de pedestres definindo ambientação de alamedas sombreadas, e na praça central com arborização que defina florações com variações cromáticas a contribuir para a caracterização dos espaços de permanência e sua diferenciação em relação às esplanadas geradas pelas coberturas-terraço da biblioteca e praça de serviços.
• A complementação do talude junto à Alameda do Campo, com generoso tratamento paisagistico, de modo a propiciar a interiorização dos blocos construídos da Administração Central e Biblioteca para a Praça Central. Tal interiorização potencializa a integração destes edifícios com o grande espaço aberto para uso da comunidade acadêmica, e ainda evita o movimento e a poluição sonora que decorrerá do adensamento futuro nos lotes lindeiros à Alameda do Campo.
• O aproveitamento extensivo das áreas ao nível do chão com a implementação do máximo de vagas para estacionamentos em planos rampados que evitam grandes movimentos de terra, ordenando sempre as diferenças de nível com taludes ajardinados, de baixíssimo custo de implantação. Essa solução possibilita o atendimento integral às demandas do termo de referência, com 1350 vagas implantadas ao ar livre e sob os edifícios de aula, sem configurar subsolo, e apenas 50 vagas em subsolo, localizado sob o edifício da Administração Central a fim de atender à demanda específica de diretores, conselheiros e funcionários administrativos.
• A ordenação rigorosa dos edifícios de aulas, com organização em malha, com orientação dominante Norte-Sul, fundamental para assegurar o melhor conforto térmico das salas.
• A caracterização individualizada de cada unidade de ensino para quem circula na alameda interna, ao mesmo tempo em que apresentam possibilidade alternativa de integração por passarelas em pavimento intermediário, a encurtar circulações e percursos e reduzir a demanda de uso dos elevadores.
• A fragmentação de cada unidade em blocos de pavimento corrido subdividido em salas de aula, pesquisa e laboratórios, integrados pelas circulações verticais, de modo a evitar a caracterização de massas construídas muito extensas, e a permitir melhor adequação à topografia, através do escalonamento das partes. Permite ainda a configuração de terraços de uso público nas coberturas, e ainda a implementação futura das expansões como blocos contínuos em uma estratégia aditiva e modular.
• A coordenação modular da malha estrutural de 10×10 metros, que permite ótimo aproveitamento de estacionamentos, flexibilidade dos espaços principais de aula, simplicidade construtiva pela repetição, economia por reduzir pontos de fundação, e ainda flexibilidade quanto ao sistema construtivo, por sua fácil adequação a sistemas moldados in loco – nervurado ou protendido – e a sistemas industrializados – pré-fabricado em concreto ou aço.
• O atendimento a todos os parâmetros urbanísticos determinados pela legislação municipal, prevendo a ocupação e o aproveitamento máximos com o menor impacto ambiental, para o que contribuem a alta taxa de permeabilidade do solo adotada e a utilização de sistemas inteligentes para reutilização de águas pluviais captadas pelas edificações.

Os acessos, hierarquias viárias e paisagismo:

A configuração de apenas dois acessos, tanto para automóveis como para pedestres, tem por objetivo maior controle e segurança na área do campus, de modo a facilitar a eventual exploração comercial das áreas de estacionamento, gerando com isso receitas que contribuam para a manutenção do espaço físico da instituição.

Para a definição das vias internas e áreas de estacionamento, buscou-se um tratamento que evidencie, em primeiro lugar, a preferência para o pedestre; em segundo lugar, a demarcação clara das vias através da diferenciação do paisagismo; em terceiro lugar, uma implantação que evite grandes movimentos de terra, com planos rampados de estacionamento intercalados por taludes ajardinados e circulações com rampas com declividade suave, sempre que possível sobre o terreno natural.

A Alameda de acesso que e configura o acesso principal de automóveis desde a Alameda da Serra define um percurso descendente que tem ao fundo a esplanada da biblioteca e a paisagem das montanhas. Foi prevista uma faixa de acumulação de veículos que compatibilize o acesso ao campus nos horários críticos com o trânsito local. Esta alameda interna margeia o bosque proposto na grande depressão existente no terreno, a ser revegetada com espécies nativas remanescentes de mata atlântica, e recebe arborização diferenciada, de grande porte, em ipês brancos, de modo a demarcar a perspectiva do acesso principal.

A Alameda de acesso desde a Rua do Vale define, em contrapartida, um percurso ascendente, que se desenvolve lateralmente às torres que abrigam as unidades de ensino, e tem no foco de sua perspectiva o conjunto de mastros. Devido a seu aclive variável, define uma sucessão de percepções diferenciadas do percurso em três momentos distintos: primeiro, na entrada, vê-se predominantemente a sucessão das massas construídas com intervalos regulares, enquanto a rampa mais acentuada do final do percurso oculta parcialmente a praça que finaliza o percurso; segundo, ao iniciar a subida da rampa, o conjunto de mastros proposto para a interseção dos percursos se destaca e a Administração Central marca sua presença, anunciando o caráter cívico da Praça Central; no terceiro momento, ao se atingir o topo, toda a praça se revela, estendendo-se lateralmente em direção à biblioteca e evidenciando a abertura para a paisagem. Do mesmo modo, esta alameda recebe arborização de grande porte, em ipês amarelos, de modo a enfatizar a perspectiva.

As vias secundárias, de acesso aos estacionamentos, cortam longitudinalmente os vazios entre os blocos de aulas, definindo eixos de arborização e iluminação. Para as mesmas, propõe-se a arborização com árvores de médio e grande porte, quaresmeiras e pau-ferro, adaptáveis ao ecossistema local, geradoras de sombra e com floração marcante.

Para a iluminação das áreas públicas, sugere-se a aplicação de sistema misto, que concilie a utilização de postes altos, a definir iluminação geral, com pontos mais baixos, com altura máxima de 4 metros, de modo a eliminar sombras e áreas escuras causadas pelas copas das árvores.

A urbanidade e a prevalência dos pedestres

Dado o caráter de reunião e convívio que o processo de ensino propicia, optou-se por favorecer prioritariamente a presença do pedestre, primeiro, de modo mais pragmático, através da demarcação de percursos convidativos e exclusivos, que se definem como prioritários nos cruzamentos com os automóveis, através da elevação da pavimentação da via de modo a evitar desníveis e com isso assegurar melhores condições ambientais de acessibilidade. Em segundo lugar, procurou-se tratar cuidadosamente as transições entre o espaço público e os edifícios, a fim de estabelecer lugares de permanência que possam ser equipados com bancos, arquibancadas, áreas de sombra e suportes para apropriação destes espaços pelos estudantes.
Nesse sentido, a principal entrada de pedestres parte da esquina mais visível, na Alameda da Serra, e define um percurso em suave declive, acompanhando a topografia natural, que adquire grande vitalidade por cortar diagonalmente a Praça de Serviços e compartilhar das atividades que aí acontecem. Na seqüência, este caminho se alarga e conduz à Praça Central, ponto focal de articulação de caráter mais público e cívico, com grande potencial de congregação do público estudantil. A praça neste caso é lugar de encontros e de trocas, potencializados pelas entradas principais que aí se colocam para a Administração Central, a Biblioteca e a citada Praça de Serviços. Por fim, junto às entradas de todos os edifícios que concentram as salas de aula, a calçada se expande, definindo um largo que demarca a presença do acesso principal a cada um dos blocos e configura um lugar de permanência, cuja vitalidade se faz através da itinerância que a alameda apresentará.

Sobreposta a este conjunto de espaços e percursos, uma rede alternativa de percursos aéreos poderá ser ainda implementada, permitindo o acesso em nível desde a Praça de Serviços até pavimentos mais altos dos blocos de aula. Essas passarelas promovem uma interligação desejável entre as diversas unidades de ensino, permitindo integrações e sobreposições de atividades em príncípio difíceis de serem obtidas em virtude do partido vertical. Evitam ainda o desnecessário esforço de descer a rampa da alameda até uma cota inferior, e tomar o elevador para retornar a um nível próximo daquele da praça de eventos, o que contribuiria para o uso mais intensivo dos elevadores e o maior consumo de energia. Com as passarelas, novos arranjos hierárquicos entre espaços públicos e privados podem se estabelecer no interior dos edifícios de cada unidade de ensino, na medida em que o acesso de público passa a acontecer em mais de um nível, além de possibilitar interligações cobertas e protegidas da chuva e do sol.

A infra-estrutura

Para a infra-estrutura, propõe-se a determinação de linhas principais de abastecimento que apresentem o menor percurso possível para alimentar a todas as edificações, o que coincide com as duas alamedas principais. As soluções variam conforme as especificidades de cada sistema, a saber:

Energia: a distribuição da energia em alta voltagem poderá ser realizada por uma rede subterrânea principal nas alamedas. Esta rede, como no caso de outros campi, como na UFMG, por exemplo, pode ser objeto de negociação junto à concessionária, no caso a CEMIG, tanto na sua implantação quanto na sua manutenção. Destas, são previstas derivações para cada edificação, que, no nível inferior do bloco de circulações e serviços, abrigará uma pequena subestação com área aproximada de 30 metros quadrados. Com essa estratégia, torna-se possível a implementação em etapas do sistema, executando as unidades de transformação à medida em que se executam as diversas etapas de obras civis correspondentes a cada unidade (Administração Central, Biblioteca, Praça de Serviços, Unidades de Ensino), enquanto a iluminação das áreas abertas pode ser executada em uma etapa inicial.

Cabeamento estruturado (redes de lógica, computadores e telefonia): para os sistemas de cabeamento estruturado, é desejável a configuração do sistema em quatro níveis: o primeiro, definindo um controle principal que abrigue uma central de informática com os servidores da instituição, com localização proposta na Administração Central; deste, uma linha principal interliga todas as bases dos edifícios, definindo ao nível do chão salas de controle para as derivações em cada unidade de ensino; nestes, por sua vez, serão previstos cômodos técnicos em cada pavimento com o objetivo de abrigar armários de controle das instalações do pavimento. O sistema de cabeamento estruturado, por permitir grande flexibilidade no arranjo das instalações de comunicação e informática, representa um aporte fundamental de tecnologia para o ensino, por viabilizar a integração de todos os espaços de ensino e pesquisa aos servidores da instituição, por viabilizar com economia um sistema integrado de telefonia interno e por permitir ampliações futuras em relação a laboratórios equipados e salas de aula especiais com acesso direto à Internet. Por último, propõe-se para a distribuição das redes de lógica e cabeamento a utilização de sistemas flexiveis, sempre que possível aparentes, de modo a reforçar a facilidade de adequação dos espaços para as mais variadas atividades que tomarão lugar ali.

Água potável: tendo em vista a caracterização urbana que se propõe para a instituição, considera-se mais adequado técnica e economicamente a implementação de rede de distribuição de água potável, em parceria com a concessionária, no caso a COPASA, que percorra as alamedas principais, executando entradas individuais para cada unidade, que abrigariam reservatórios individuais de menor volume. A medição poderá ser única, junto ao logradouro público, ou fracionada para cada unidade, de modo a permitir independência de funcionamento, principalmente para a praça de serviços e os espaços comerciais nela previstos. Essa estratégia de descentralização das reservas para consumo e incêndio minimiza custos iniciais de implementação do sistema por evitar a construção de um grande reservatório em torre, que deveria desde o início atender à demanda completa gerada de todos os edifícios, mesmo que ainda não construídos.

Esgoto: tendo em vista a ótima situação que a topografia em declive propicia para a definição de uma rede mestra de captação de esgotos que opere por gravidade, propõe-se a definição de uma rede linear, que se inicia sob a alameda interna principal, junto à entrada da Alameda da Serra, e continue por sob a via de serviço que interliga os estacionamentos na parte mais baixa do terreno, conduzindo todo o esgoto à área próxima à Rua do Vale, cuja cota altimétrica é a mais baixa do terreno. Este ponto apresenta a melhor localização para a instalação de estação de tratamento de esgotos (ETE), com o objetivo de separar os dejetos sólidos e permitir a infiltração dos dejetos líquidos, após seu tratamento em processo séptico.  Em virtude do alto custo do tratamento das águas de esgoto para sua reutilização, não se propõe nesta implementação inicial do Campus esse processo. Contudo tendo em vista a possibilidade de uma viabilidade econômica de tal processo a médio prazo, considera-se sua eventual implementação futura, destinando-se espaço com maior área para esta finalidade.

Água pluvial: dada a grande ocupação do terreno por estacionamentos ao ar livre, e uma vez utilizadas pavimentações semi-permeáveis, tipo blocos intertravados de concreto com grama, a maior parte do volume de águas gerado pelas chuvas infiltratrará diretamente no solo. Nas áreas impermeáveis, resultantes das coberturas dos edifícios e da pavimentação das alamedas principais com blocos intertravados lisos, propõe-se a captação das mesmas e sua condução até reservatório subterrâneo, localizado em cota altimétrica inferior ao edifício de implantação mais baixa. A água ali armazenada, recirculada por bombas até aspersores nas áreas ajardinadas, se constitue em importante recurso hídrico para irrigação do paisagismo proposto, especialmente nos períodos de maior estiagem. Uma alternativa para a aplicação da água pluvial coletada consiste em utilizá-la em sistemas independentes para as descargas de instalações sanitárias nos edifícios. Especialmente nos períodos de chuva, que apresentam maior acúmulo de água e menor demanda de irrigação, essa solução resulta em economia considerável no consumo de água potável.

Armazenamento e coleta de lixo: considerando o caráter urbano que a organização do campus determina, faz-se necessário definir um sistema de armazenagem e coleta de resíduos sólidos que assegure um bom funcionamento do campus, estimule a prática da seleção e reciclagem e compatibilize o seu funcionamento interno com o sistema público de coleta. Para tanto, deve ser prevista a implantação de cômodos descentralizados, em cada unidade, para o armazenamento de resíduos sólidos (ARS). Tais resíduos, em periodicidade regular a ser definida conforme a média de acúmulo dos resíduos, seriam concentrados em central de coleta e seleção, a ser implantada na cota mais baixa do terreno, junto à estação de tratamento de esgoto, em área lindeira à Rua do Vale. Neste local se processaria a seleção do material reciclável e do lixo orgânico e não reciclável, com acesso direto desde a rua para viabilizar os procedimentos do serviço público de coleta sem interferir no cotidiano da vida acadêmica.
A arquitetura

Para a arquitetura, propõem-se diretrizes que busquem a um só tempo uma adequada relação custo-benefício, a possibilidade de implementação modular com a construção em etapas, e a definição de um conjunto edificado que apresente unidade, para caracterizar a instituição FUMEC para quem de fora a aprecia, e diversidade, para demarcar as especificidades próprias de cada unidade, viabilizando de modo mais adequado respostas coerentes a suas demandas de uso. Nesse sentido, propõe-se o seguinte:

-Praça de serviços e esplanada de chegada

A fim de viabilizar sua utilização tanto pela comunidade acadêmica quanto pelo público externo, a praça de serviços se localiza na extremidade mais pública do lote, acessível diretamente desde a Alameda da Serra. Esta localização, se favorável sob o ponto de vista comercial, arrisca tomar a imagem de um centro de serviços como a imagem da Instituição. Para evitar esta situação indesejável e conciliar a necessária proximidade da praça de serviços com a rua sem prejudicar a imagem da Instituição de ensino, propõe-se o rebaixamento da referida praça e de sua massa edificada, de modo a preservar a abertura de visada para a paisagem e reforçar a presença da edificação mais alta, que é a Administração Central.

Estabelecendo um percurso descendente desde a esquina, a rampa suave corta a praça de serviços e a alimenta com o público necessário ao seu funcionamento.

-Administração Central e auditório

Partindo do mesmo ponto, a esquina, uma esplanada lateral em nível conduz ao quarto pavimento do edifício da Administração Central, onde se propõe implantar o auditório, de modo a conferir-lhe um caráter eminentemente público, a permitir sua utilização tanto pela comunidade acadêmica como pelo público externo. Sua localização em área de extrema visibilidade desde a Alameda da Serra permite a exploração plástica e a valorização de seu volume como um ícone que confere monumentalidade ao conjunto e demarca com clareza a presença da instituição FUMEC no contexto urbano, além de diferenciar o edifício da Administração Central, demarcando sua singularidade em relação aos demais. Sendo assim, o caráter da instituição será definido pela monumentalidade e pelo tratamento plástico de um único elemento dominante, o edifício da Administração Central, permitindo assim a adoção de sistemas construtivos e linguagens arquitetônicas mais austeras e econômicas nos demais edifícios, que representam maior soma de áreas edificadas e, portanto, aportes mais significativos de investimentos. Essa contraposição reforça ainda as hierarquias entre os distintos blocos no que concerne à diferenciação de seu caráter público e privado.

-Biblioteca

Dentre os três edifícios de uso coletivo – Administração Central, Praça de Serviços e biblioteca – é este último aquele que menos é utilizado pelo público externo, tendo ainda grande demanda de utilização pela comunidade acadêmica. Em razão dessa especificidade e da necessidade de maior controle ambiental no edifício, especialmente no que concerne ao controle da poluição sonora, a biblioteca ocupa a porção inferior da parte destinada a este conjunto de edifícios. Distancia-se assim das vias principais de circulação de veículos, abriga-se em relação à Alameda do Campo pela ampliação do talude que já caracteriza esta confrontação do terreno, e ainda preserva a proximidade necessária aos edifícios de aula.

A implantação proposta para a biblioteca respeita a previsão de três pavimentos, conforme determina o edital, mas os organiza de modo a viabilizar uma intervenção simples e econômica na topografia, por optar por um escalonamento entre os pavimentos. Essa estratégia, além de permitir explorações de espaços internos com maior variedade, confere grande privacidade e interiorização das áreas principais do edifício, voltando-o predominantemente para leste, e abrindo apenas o pavimento de acesso para a praça. Esta solução de implantação permite ainda a configuração de um grande terraço na cobertura de todo o edifício, que amplia significativamente a praça cívica central, permitindo maior variedade de eventos e atividades ao ar livre. Esse terraço configura também, ainda que temporariamente, um mirante para a paisagem do vale.
-Unidades de ensino: Centro de Ciências Exatas, Centro de Ciências Humanas, Centro de Ciências Sociais

Para as unidades de ensino, foram propostas torres verticais com altura sempre inferior à cota altimétrica máxima de 35 metros de altura acima da Alameda da Serra. As torres são definidas por 12 pavimentos de salas de aula, um pavimento de pilotis que configura a entrada principal em nível com a alameda, e um, dois ou três níveis de estacionamento abaixo da entrada. Estes estacionamentos são definidos a partir do reconhecimento da variação da topografia, sem implicar em qualquer corte no terreno e sem exigir obras onerosas de contenções, por não configurarem subsolo. Os edifícios se organizam em blocos, intercalados por núcleos de circulação vertical e espaços de apoio – sanitários, cômodos técnicos, varandas e pequenos pátios por pavimentos. Em uma primeira etapa de implantação, prevê-se a construção de dois blocos por unidade de ensino, com apenas um núcleo de circulação vertical, de modo a viabilizar a integralização da área construída demandada para cada unidade conforme o Termo de Referência (aproximadamente 20.000 m2 por unidade). Como ampliação futura, prevê-se a edificação de um terceiro bloco anexo a cada uma das unidades, com circulação vertical complementar. Este terceiro bloco amplia em 50% a área inicial de cada unidade. Além destes três blocos, prevê-se também a construção de uma quarta unidade que, por sua implantação individualizada, pode responder à demanda de criação de um quarto Centro de Ensino e Pesquisa, de modo a permitir uma futura transformação do Centro Universitário em Universidade.

Cada uma das unidades apresenta um nível de acesso junto à alameda principal, que caracteriza um pilotis de sociabilização, com grande potencial para abrigar os mais diversos equipamentos e atividades comuns relacionadas à especificidade de cada curso ou faculdade. Abaixo desse nível, aproveitando-se da variação da topografia em declive, instala-se, no primeiro bloco, implantado em cota mais elevada, um nível de estacionamento sobre o terreno natural, contínuo aos estacionamentos gerais. No segundo bloco, dois níveis, sendo o primeiro contínuo aos estacionamentos e o segundo com acesso em rampa desde uma cota mais elevada do terreno natural, de modo a reduzir custos com a construção de rampas. Por fim, o terceiro bloco, que implica na ampliação das áreas de aula de cada unidade, permite a edificação de três níveis de estacionamento, sendo o inferior sobre o terreno natural, o segundo com acesso em rampa desde cota mais elevada do terreno, e o terceiro interligado ao segundo nível do segundo bloco. Essa maior quantidade de vagas vem responder coerentemente à ampliação da demanda que a ampliação das áreas de ensino gerará, assegurando funcionamento com conforto e segurança para a comunidade acadêmica.

Acima do pavimento de entrada, se distribuem os 12 pavimentos de aula e atividades de ensino. Em virtude da diferença de nível entre os blocos, e destes com a praça de serviços e a reitoria, a citada circulação aérea alternativa em passarelas permite a definição de um nível intermediário de acesso em cada unidade, criando alternativas de organização das variadas hierarquias entre as atividades de ensino, pesquisa, extensão e administração específicas a cada unidade.

Nas coberturas, grandes terraços são gerados, com continuidade entre os blocos de cada unidade. Nestes espaços, amplamente abertos para a vista extensa da paisagem, a criação de espaços para abrigar atividades físicas – quadras das diversas modalidades de esporte, descobertas ou cobertas, e eventualmente até piscina com dimensões semi-olímpicas – representa uma alternativa viável que aproveita grandes áreas construídas ociosas, revertendo ao uso público espaços geralmente destinados a equipamentos técnicos. Distantes do movimento da cidade e do campus, abertos para o ar puro e debruçados sobre a paisagem, estes terraços propiciam espaços para a atividade física e o lazer muito mais adequados do que a ocupação térrea, evitando conflitos indesejáveis com o trânsito automotivo e os estacionamentos, e ainda a geração de ruídos que implicariam em comprometimento das atividades de ensino.

Como diretrizes de projeto para as unidades de ensino, propõe-se a aplicação de modulação rigorosa, com módulo único de 10×10 metros, de forma a permitir máxima flexibilidade nos arranjos das diversas atividades que compõem o programa diferenciado de cada faculdade. Para isso, propõe-se que as circulações verticais, instalações sanitárias e espaços técnicos se concentrem nos blocos de serviço previamente demarcados, por definirem situações centralizadas que implicam nos menores percursos de fuga, atendendo às normas de prevenção e combate a incêndio. Propõe-se também a orientação das faces mais extensas dos blocos no sentido norte-sul, deslocados 2 graus em direção sudeste/noroeste, devido às melhores condições de controle do ambiente interno que tais orientações possibilitam. Nas fachadas voltadas para o quadrante sul, grandes aberturas são estimuladas, prevendo-se eventualmente pequenas marquises para proteção contra chuvas. Nas fachadas voltadas para o quadrante norte, sugere-se a aplicação de atenuadores solares, preferencialmente brise-soleil horizontais, com espaçamento e profundidade calculados para evitar a incidência direta no interior das salas de aula considerando a inclinação dos raios solares no solstício de inverno. Nas orientações leste e oeste, sugere-se o estudo de fachadas cegas ou com o mínimo de aberturas, a fim de evitar comprometimento da habitabilidade dos espaços de aula especialmente nas primeiras horas da manhã e ao final da tarde.
Possibilidades de crescimento futuro do campus

Considerando a possibilidade de aquisição de novas áreas, circunvizinhas à área atualmente pertencente à FUMEC, para futuras ampliações, verifica-se a total adequação do sistema urbano proposto, dada a viabilidade de simples extensão da malha de circulações inicialmente prevista.

Caso sejam adquiridos terrenos a jusante da atual propriedade, a simples continuidade das vias de acesso aos estacionamentos e a implementação de novos blocos, com as mesmas características daqueles inicialmente previstos, apresentam grande viabilidade, aproveitando a infra-estrutura urbana instalada. Apenas um novo ramal de coleta de esgotos, a ser implantado na cota mais baixa do novo terreno seria necessária.

Caso sejam adquiridos terrenos a montante da atual propriedade, a alameda principal com acesso pela Rua do Vale, que inicialmente margeia uma das laterais do terreno, passaria a ser uma via central, derivando circulações de acesso às novas torres e aos seus estacionamentos a oeste com a mesma lógica já determinada para as unidades de ensino inicialmente implantadas a leste da referida alameda.

Caso sejam adquiridos os terrenos adjacentes à depressão escavada, junto à Alameda da Serra, é possível considerar a implantação de um grande centro para eventos, aos moldes de um ginásio multi-uso, aproveitando da encosta escavada para a definição das arquibancadas de modo a reforçar sua característica de anfiteatro. Essa implantação, além de ser extremamente econômica para esta atividade, minimiza o impacto do volume de um equipamento de tal porte no local, por ocupar a depressão. Permite ainda uma grande facilidade de acesso ao público nos níveis mais altos, junto à rua, e ainda acesso direto da comunidade acadêmica em cota inferior, próxima ao nível em que se instalaria a base do ginásio.