Residência RG

Arquitetos Carlos Alberto Maciel
Colaboração Manoela Castanheira Beneti e Patrícia Naves Pinheiro
Local Belo Horizone, MG, Brasil
Projeto 2001

O projeto desta residência se fundamenta nos seguintes aspectos:

1 – uma inserção cuidadosa no terreno, a buscar a um só tempo a preservação da topografia natural que o caracteriza na paisagem, e também a máxima integração da construção na paisagem através da sua cor – concreto aparente ou outro material que dissimule sua presença a distância -, e ainda através da manipulação suave da topografia de modo a elevar alguns relevos que contribuem a um só tempo para reforçar as características da paisagem natural e ocultar parcialmente o volume construído para quem o vê desde a cidade.

2 – a valorização dos percursos e espaços de permanência, através do trabalho de aberturas e fechamentos que permitem vistas alternadas das diversas paisagens e do pátio interno que ambienta os espaços sociais. Assim se estabelece a seguinte seqüência de espaços com diferentes características: hall/galeria, fechado para a paisagem e com abertura para o céu através das zenitais localizadas no fundo da piscina; living/biblioteca, com pé-direito mais alto do que o restante da casa, aberto para a cidade e a montanha, e ainda para o pátio interno e varanda lateral; varanda, mais aberta para a cidade e montanha, e com aberturas estratégicas à altura do olhar para o por do sol, equilibrando a abertura para a vista com a necessária proteção em relação ao sol; rampa externa de acesso à cobertura, possibilita um passeio sobre a paisagem das montanhas; jantar, aberto para pátio e montanha; circulação íntima, fechada, com iluminação ao fundo para jardim interno; quarto principal, aberto para cidade e montanha, e ainda jardim interno que ilumina e ambienta o trecho central, mais íntimo; por último, a sala de banho, aberta para a paisagem mais tranqüila da montanha e com espaço interno diferenciado pelo plano inclinado, que finaliza o volume edificado, com rasgo de luz junto ao teto.

3 – a diferenciação clara entre espaços públicos e privados, promovendo gradações que permitam acessos mais privativos e independentes, a assegurar total independência entre atividades sociais e de serviço, e dessas com a área íntima da casa.

4 – a valorização da cobertura como espaço de lazer e contemplação, em total sintonia com a paisagem circundante. É também pensada como um dos principais acessos da residência, a considerar a presença do heliponto e seu uso recorrente.

5 – a ênfase na presença dos pátios internos como elementos de ambientação tão importantes quanto a paisagem, valorizando sua interioridade tanto nos ambientes sociais como especialmente no quarto principal. O pátio central é ainda tratado como o principal elemento articulador dos três pavimentos, assegurando um acesso rápido à cobertura – em contraposição ao passeio junto à paisagem que a rampa proporciona – e um generoso acesso à garagem no pavimento inferior e daí ao gramado do terreno natural.

Enfim, o projeto se estrutura na busca de um equilíbrio entre diversos aspectos imprescindíveis: o lugar, e a importância e beleza da paisagem circundante e da própria montanha em que se coloca; as demandas de uso e funcionamento, a buscar um equilíbrio entre abertura para a paisagem e privacidade, visadas desde a casa e visibilidade de seu volume edificado; qualificando os diversos espaços internos através da polaridade entre interior – pátio – e exterior – paisagem; a construção, com a aplicação de estrutura em concreto protendido, a permitir formas simples e espaços amplos, apoiando a casa à montanha como um grande barco ancorado na paisagem.