Praça Milton Campos | 1º Lugar
Quatro aspectos foram determinantes na elaboração do projeto da praça Milton Campos:
1 – a consideração da estrutura do lugar existente, através da visualização dos espaços potenciais a serem criados e das visadas privilegiadas a partir das vias públicas adjacentes, além da identificação do caráter dos possíveis espaços, em termos de luz e sombra, declividade, e dimensões básicas.
2 – a consideração dos diversos usos que o espaço público abriga, buscando possibilitar a adequada e variada apropriação pelos usuários através da diferenciação de espaços de descanso e de eventos, da criação de percursos e lugares de permanência, além da correta disposição de bancos e equipamentos.
3 – a consideração da memória da Igreja do Carmo, ou sua (re)invenção, através da experiência de uso do espaço público, para além da mera referência visual à edificação pré-existente, indicando a sua presença simbólica através do som dos sinos que marcava o caráter da religiosidade barroca de outrora, e da experiência tátil e também visual das texturas e cores da pedra da base e do reboco branco da torre, a se refazerem no conjunto edificado do monumento.
4 – a consideração da viabilidade de execução, tanto na economia de meios como na economia de tempo, a partir da criação do mínimo de elementos, buscando extrair deles a máxima expressividade, que se dá através do uso de materiais de custo reduzido, e da criação de elementos construtivos que a um só tempo definem os espaços e funcionam como equipamentos urbanos.
LUGAR
A partir da visualização da estrutura da praça, identificou-se a existência de duas partes com caráter distintos: a primeira, na parte mais baixa da praça, com maior largura e arborização reduzida, sugerindo uma esplanada, mais livre, aberta, a permitir usos diversos para eventos de todas as naturezas – sociais, políticos, religiosos, de lazer; a segunda, mais estreita e arborizada, no trecho mais próximo à Casa de Cultura, indicando uma espaço para o descanso e a tranquilidade.
Identificou-se ainda uma forte longitudinalidade do espaço, reforçada nos extensos bancos-arquibancada projetados e nas linhas de piso a marcar a presença do monumento, cuja localização coincide com o sítio onde antes se erigia a Igreja. Tal longitudinalidade garante a possibilidade do “footing”, que se dá ao longo de tais bancos, a permitir diversos percursos distintos. Nesse acontecimento se enfatiza a urbanidade e o encontro, em que as pessoas vêem e são vistas, garantindo a necessária convivência tão importante e rara nos espaços públicos de hoje.
USO
Para a além da mera identificação dos usos existentes, buscou-se possibilitar variadas apropriações pelos usuários, flexibilizando os espaços criados, que se prestam tanto a pequenos eventos, como apresentações de música e teatro, missas e atividades religiosas, como a grandes atividades, como feiras, shows e manifestações políticas. Tal adequação se dá devido à não-determinação funcional dos espaços. A esplanada comporta eventos maiores, e a área arborizada se faz eventualmente como extensão natural a este espaço. O patamar elevado da finalização dos bancos na parte mais alta da praça pode eventualmente ser utilizado como um pequeno palco, a garantir o encontro e a reunião de menor porte.
MEMÓRIA
A recriação da memória se dá de maneira efetiva pela recuperação de aspectos da experiência do espaço religioso para além da sua mera visualidade. A igreja se faz presente especialmente através do som dos sinos. A experiência tátil e auditiva se materializam na recuperação do som da religiosidade e na textura dos materiais (re)utilizados no monumento, a (re)construirem a memória da Igreja, evitando soluções reduzidas e limitadas a referências visuais, nunca percebidas pelos usuários em atitude constante de distração no uso do espaço público.
VIABILIDADE
A interferência física no espaço público da praça se reduz ao mínimo. Buscou-se manipular de maneira criativa os elementos indispensáveis, através de movimentos do piso, que ora se eleva transformando-se em bancos, ora promove câmbios de materiais, a reforçar os distintos caracteres dos espaços e a presença do monumento. Os relevos também se fazem presentes nas áreas verdes que se elevam em taludes, sempre associados aos bancos-arquibancada, criando a necessária interioridade dos espaços de convivência da praça. O monumento se utiliza do concreto ciclópico, de fácil execução, representação da textura da base da igreja; da viga em aço, de execução rápida, que cria a janela para a praça, representando a contemporaneidade das Minas na tecnologia aço oxidado; e do concreto armado pintado de branco, em memória das alvas torres sineiras da nossa religiosidade barroca.
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